terça-feira, 29 de abril de 2014

Frio ártico






Frio Ártico


Sôfrega vida
Em clemente pedaço
Com pluma lânguida
De  um coração absorto

Sob trevas chora o céu
E a luz te busca em vão
Não podes ser meu
Como tua sou na imensidão?

Ah, meu amado!
Desde que partistes,
Pensamento esgueirando
Em algemas fortes

Compreendes o vazio
De um mórbido vento norte?
Retornes ao caminho
E concedas minha sorte

Oh cinza implacável!
O cálido que atrai
É incompleto amável
Ouça a voz, mirai!

Ah,sentinela do segredo!
Incansável ilusão
Trazendo neste cárdio
O Frio Ártico Solidão!


Karen Rocha


quinta-feira, 24 de abril de 2014

Pássaro





Pássaro


Um pássaro do real amor em mim
Onde se esconde a chave da vida!
Se a liberdade não reconhece seu fim
Por que choro por ele com recaída?


Oh, que me queimas as chamas de saudade!
E quebrantas as asas da sinceridade 
Oh pássaro já conheces o caminho!
Mas jamais poderás voar sozinho 


Suplício tão pobre, mas de arte eloquente
Tenta prende- lo num país distante 
E afanar o sonho recíproco candente
 Trazendo num instante à matéria o sentido

Pássaro contemplante de profundas  águas
Mais desejadas  que a própria vida migrante!
De asas mais quentes que o fogo em lágrimas
Não podes afogar-te no rio da eternidade...


Karen Rocha








sábado, 12 de abril de 2014

Antiteses









Antíteses

Subitamente busco
o encanto de teus olhos
como em manhã de inverno
em teu rosto sério 

Aquele dia nostálgico
será para sempre meu,
quando nossos corações
num ímpeto tocaram o céu,
e instantes despertaram

Ah, as antíteses de meu ser,
razão que me abandona
Será esse tormento
a faísca que vira fogo,
ou o que já restou das brasas?

Dos célticos segredos milenares
esse amor é vento
que apaga o calor do meu sonho,
ou trás brisa ao coração cortante?

Destas duas uma sentença:
Quando o tempo divagar
e a dor virar lembrança,
nada mais importará,
senão do amor verdadeiro,
a real esperança!


Karen Rocha