segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Clandestina








Clandestina


Um dia enfim  parti
Tentando encontrar-me
No céu, o mar eu vi
Uma estrela que dorme

Sonhei ventos uivantes
Recolhendo minha lança
Desenhando os infantes
Um cenário de esperança

Sem tolas conjunturas
Fiz  a sombra das árvores
A queima de fartas lenhas
Do arco-íris, minhas cores

Uma atriz que convence
Nos olhares dos soturnos
Na solidão de uma mente
Sem fronteiras de silêncios

Peripécias dos alheios
Choro, incontido e firme
Vozes dos abandonados
Nunca pude esconder-me

Uma clandestina em mil
Fui apenas eu no fogo
Almejando a calma anil
Em busca do verbo novo

No passaporte do amor
Longe do que era antes 
Reclinando-me ao calor
Dos teus olhos fulgurantes

Quem um dia despertou-me,
No território de fortes?
A vitória ao que não some
Na brisa dos inocentes!

Candentes raios de retorno
Trouxe- me  a bússola em ti
A nova terra é o regresso
Daquela paz onde nasci



Karen Rocha







sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Tempestade








Tempestade
   


Amo-te, em segredo
Com olhos de libélula
É tão  tarde aqui dentro
Quando é cedo a chuva

Choro assim, porquê?
 O tempo é o vento
Na fúria tempestade
De um coração partido

Estamos  tão  perto
E de nós tão longe
Que busco meu abrigo
Na linha do horizonte

Engana-te sem amor
O disfarce é dos tolos
Pois há também calor
Nos mais ardentes frios

Quando tudo é disparate
E estou me afogando
Se meu céu enegrece
As nuvens  eu recolho




Karen Rocha



terça-feira, 2 de setembro de 2014

Odisseia do amor









Odisseia do amor 


Odisseia do amor, mais verdadeiro
Preferiria estar sem ti a estar sem mim
No dia que partistes meu mundo
O término de uma história sem fim

Desbravei mares de olhos densos
Toquei o céu por duas longas vezes
Ao esculpir montanhas de pensamentos
Na filarmônica dos sonhos doces

Meu Narciso,de todos, o prezado 
Cuides para que o nada seja tudo
E tão quente neste instante o abrigo
Afastando revezes do cruel mundo

Oh, egrégio de teus claros olhos!
Basta! Castigo tão eloquente e certo
Traços de fina elegância vultosos
Incomparáveis vertigens no cilício

Diga-me, peço-te, belo pequeno
Se a insolência não puder te abater
Podes também amar-me em sereno
E enfim esta calota derreter?



Karen Rocha


















segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Teus versos







Teus versos


Profusão de verdades não ditas,
Por que embalsas este antigo medo?
Troveja-me o amor das primaveras
Que ao fiel, compartes o sustento

Deflagra-me teus versos utópicos
Tão únicos meus, como sou tua
Em teus lábios de açúcar serenos
Alma gotejante de entrega doçura 

Nunca me deixes reles destroços
De temas rasgados em mim ventania
Minhas correntes, teus naus abraços
Que solenemente trás cura e encanta

Ambas as partes de um meu soluço
Tua escolta salva-me da ilha
Meu guia protetor no escuro
Faça-me em ti completude sina


Karen Rocha