quarta-feira, 29 de abril de 2015

Aquela cura que salva




Aquela cura que salva

Uma questão tocou-me com seus olhos de selva
Talvez fosse o arquejo ou simplesmente genésico
Anseio fugazmente por aquela cura que salva

Um ponto de interrogação plaina na cidade
Sob o agitar do pêndulo questiono:Onde ele está?
As ficções teimosas querem levar-me a felicidade 

Logicamente há elementos não compreensíveis
Para todos os olhos humanos, tão limitados
A psicologia reformula outra tese para estudar-me

Outro fracasso ou uma rampa a entrar na história?
Pensar com a mente física pode causar derrame
A impenetrabilidade de meus motivos assustáveis

Há, mas não quero esgotar-te com meu desabafo
Vou fechar os olhos e com fé nascer novamente
E serei curada dessa intensa paixão, eu grifo


Karen Rocha

Gratidão


Gratidão


Ah, sentimento que me irradia!
Tenho uma dívida com o Criador
A gratidão é a minha moradia

A minha existência é milagre
Bem como o pão de cada dia
Que eu ao Senhor os consagre

Até mesmo uma provação
É necessária ao progresso
Para cumprir minha missão

Como poderei agradecer
Por todas as inúmeras bênçãos?
Os mandamentos vou obedecer


Karen Rocha

Garças são cânticos




Garças são cânticos



Garças são cânticos apoemados
Cobertas de penas graciosas
Sobre os mangues em agrados

Seu pescoço comprido e elegante
Confere a elas uma imponência
Sua cor tem a pureza do leite 

Seu hábitos são bem solitários
Mas para buscar o ideal parceiro
Integra-se aos seus voluntários

É inspirador sim, contemplá-las
À natureza que as fez lindas
Minhas admirações sinceras 


Karen Rocha



Ostracismo




Ostracismo 


Uma garota abolhada me vejo
Foi isso que trouxe-me o receio
Um ostracismo contornando o brejo

Proveio da Grécia antiga a exclusão
A punição por crimes cometidos
Tu, o carcereiro da solidão

Sob o fremir de uma palmeira
No esperar adormeço voluvelmente
Tentando sonhar com a alforria

Mas no tic tac não perco o chão
Mesmo a enamorada no alheio
E com o vácuo de tua indecisão

Suponho que eu serei sempre tua
Abandones tuas tentativas de poder
Ande, voltemos a nossa lua!


Karen Rocha


quinta-feira, 16 de abril de 2015

Majestoso portal




Majestoso Portal


Sem parcialidades ou intransigências, o majestoso portal
Uma transição entre o este e aquele, mais exaltado
Justiça e misericórdia me seguirão quando for imortal

Seu guardião é também o único que possui as chaves
Não poderei entrar por outro umbral para não morrer
Jamais podem explicar seu brilho, os maiores ourives

Como um túnel difuso rumo à querida sabedoria
O poder sempre esperado é dos livres captores
Anseio desfrutar o prazer de lá estar, ou o que faria?

Tacteio-me ao pôr de mais um sol entre as árvores
Ó,quantas de mim passo a conhecer desde então!
De todas, quero refletir a que incide os superiores

A cidade feliz tem frutos mais brancos e deliciosos 
Será a vitória dos que aceitam a mudança interior
Eis me aqui!Vou sim participar da ceia dos caridosos


  Karen Rocha



 

A trapezista






A trapezista 


O desafio a mim incumbido seria o maior dos testes
Um decreto, mas não inalterável, senão se eu desejar
Ansiedade, melancolia, dores e naufrágios, a que viestes? 


Até mesmo o melado do açúcar pode também emarear
E o amargo é necessário ao salubre chocolate
Eu, a trapezista e posso entreter os que estão a caçoar


Ah, todavia eu sou artista, persigo o cabal equilíbrio
Os ângulos, posições e treinos mantem-me em segurança
Aqueles desalmados desse circo sentirão mais frio


Sei que todas as coisas contribuirão para meu progresso
A corda é firme, conduz-me ao destino retamente
Sem olhar para baixo e para trás,com firmeza terei sucesso



Karen Rocha

Anacronismo sem acaso









Anacronismo sem acaso


É  tão absolutamente intrigante o despertar que produzes
Nossas eras fundidas em milênios querem nos aproximar
E nos tornamos doutores do conhecimento de primores 

Não precisamos pertencer ao mesmo ano ou espaço
Estamos no triângulo que surge de milésimos de segundos
A sublimidade não relativa é nosso comum regaço

Teu mundo, também o meu ,até a contracapa deste livro
Objetos,experiências,pessoas, músicas, costumes..Exato, tudo!
Contra os Spoilers antecipo-me acima do passageiro escombro


Há lições em cada terra que nos susteve ao longo da jornada
Mesmo as chuvas minguadas trazem-nos as doces sementes 
Para que perguntas minha idade, se antes de nós foi só ensaiada?


O anacronismo sem acaso que tens buscado nesse índice
Sabe, se quiseres deixe-me fazê-lo lembrar. Posso beijar-te?
Essa será de fato a tua confirmação, não mera crendice


Karen Rocha

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Ballet




Ballet


Quão plumado é o movimento extraído da alma!
Danço com os gansos que entendem a linguagem
Aprendi no ventre o ballet, que é meu emblema


Meus pés foram feitos para bem alto flutuar
Qual a forma ideal para a roupa dessa sensação?
De sapatilhas e frufru , este palco é meu lugar


Rasuro nas aulas o descobrir de um sonhar
Há graciosidade em cada passo em francês
Se faço solo,vôo denso num profundo animar


Conto  sem abrir  a boca, histórias antigas
Balanço as palavras não ditas com o meigo gesto
Trago a este século lindas músicas clássicas


Sabe, sinto-me a garota feita para o repertório
Traduzo no corpo os meus sentidos delicados
Feminina como um botão de rosa mais notório


Longe ou perto, o curso que atrai-me novamente
É o meu íma, o objeto de encaixe, de renome
Mais que um estilo, a minha versão realmente



Karen Rocha






terça-feira, 14 de abril de 2015

Dragao




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Dragão


O mais temido dos seres mitológicos imaginários
Um réptil de fendas crepitantes e repulsivas
Seu ódio acende o fogo que congela os inimigos


Dragão, de características ditas mágicas e indecentes
Subindo ao ar como um foguete desgovernado
Tive um pesadelo com ele nestas duas ultimas noites


Estava contigo a afagar-me em círculos o cabelo
Falávamos sobre nosso belo futuro juntos
De repente, o monstro chamou-te para um duelo


Qual seria de fato o objeto de disputa? Refleti então
Tive tanto medo de perder-te que aos gritos chorei
Que surpresa foi ver que éreis também um dragão!


Tentei correr, mas em tuas asas firmemente fui atada
Fechei os olhos para não saber o que viria em seguida
E finamente, com teu beijo de amor fui despertada


Karen Rocha










Balaustres de vidro



Balaustres de vidro


Balaustres de vidro por tuas mãos arquitetados
Lindo palácio com exclusividade ornamentaram 
Os cavalgadores pairaram às sombras admirados
E donzelas românticas nele sempre repousaram

Naquela época, teu dom era em suma desejado
Coisa que uma ou duas vezes vê-se na farta vida
Mas, havia algo que não fora de fato planejado
O terremoto estraçalhou-lhes pós abatida queda

Ainda não relatei o que mais importa em rima
Eu, a autora dessa tragédia sem precedente
Pois também usei para o sonho tua obra-prima
A força da paixão por ti, causou esse acidente 

Lamento tanto meu portento superior e artífice
Não perdestes teus cristais, verdadeiramente
Sou a guardiã de tua história em seu ápice
Recuperes dos estilhaços teu poderio.Vá,tente!


Karen Rocha


O açore






O Açore


Tu, o açore mais implacável já avistado a pousar
Na habilidade de tua caça afugentas os desavisados
E grasnas feito um falcão faminto sobre o mar  
Diante de ti, os menores são todos encurralados


O contraste do branco e preto que tingiram-te
Retrata o que acomete tua própria natureza
Não serias exatamente um mal quisto intolerante
Buscas tua conservação pelo instinto e presteza


De vôo eficaz e ligeiro arranhando o rubro céu
A captação diamantesca das árvores estridentes
Embalam no luar a surpresa liderança em apogeu
Uma ave de rapina semelhante aos ladrões nas noites 


Esses olhos e pernas de âmbar como o ouro mate
As  mais compridas asas quase incansáveis 
Teus companheiros de vento dã-te o remate 
O poder que possuis é a fraqueza dos vulneráveis


Karen Rocha



segunda-feira, 13 de abril de 2015

A subjetividade e eu




 A Subjetividade e Eu


Sou a pusilânime garota de um plano interior
As notícias chocam-me como faíscas em atrito
Por que iria entregá-los meu segredo defensor,
Que emitem a percepção do ventrículo no peito?

Uma jarda é a única distância possível entre nós
Se escapa-me o controle da leitura ontológica
Provavelmente formo ao redor um círculo de pós
Tão intangível e alucinada, mas totalmente única

O que ou quem é passível de ser publicado?
Avalizo histórias que não seriam verificáveis
Refugio-me sob tons de rosa num largo todo
Indagações frequentes faço à outros inexoráveis

A subjetividade e eu, como em vias subalternas
O mesmo que eleva  destrói-me o semblante
Na depressão me gloriarei sob as ruínas antigas?
Que o cotejo dos pedaços crie-me a boa mente!


Karen Rocha



quinta-feira, 9 de abril de 2015

Casamento




Casamento


Incisivamente por trás das colinas, busco o paraíso
Ouço o tilintar dos pôneis selvagens mais próximos
E tu me dás uma coroa rumo à casa do sorriso
Sinto-me feliz contigo em cem vezes de acréscimos

Como me escolhestes para sempre, escolhi a ti
Não poderia ter o aspecto mais anil, o céu de agora
Somos também dois em um, o que eu já senti
E este é apenas o começo de um longo verão afora

Esse lindo arco-íris será nosso tobogã gigante
Tudo criado para nós, um presente aos sonhadores
Escorregaremos naquela cachoeira permanente
Onde o universo é de longe o limite dos arredores

Aprenderemos juntos a alegria de fazer-nos bem
O sabor do sal, discernido pelos que o valorizam
Nossos planos, na  alegria que do amor advém
Pois o casamento, nossas mentes  arborizam


Karen Rocha



Amizade é o amor





Amizade é o amor


Dê-me teus carinhos, se ao nada se resume o impedimento
O jardim que regamos naqueles meses não é feito de metal
Como podes ter o coração que bate, tão duro de cimento?
Teu orgulho displicente traz-me a vertigem de estar mal


Eu mesma nunca mergulhei nesse profundo vermelho
A realidade quis por vezes trazer-me à tona novamente
Mas nem pude ao menos ver meu semblante no espelho
Uma corrente de parafusos, teu existir simplesmente


Todas as poesias fiz mesmo por ti, sem saber, querido
Vasculhei-me de repente a alma, tão madura e infantil 
Que eu engolfei-me naquele pensamento depreciado
Aquele que tornou-me a sonhadora garota estudantil


Eis a prova concreta que o Big Bang nunca aconteceu
A explosão de sentimentos só desorganizou-me a vida
Poderíamos nós nos lembrar do que jamais se perdeu?
A amizade é o amor quando não vemos a saída


Karen Rocha