segunda-feira, 30 de março de 2015

Egocentrismo





Egocentrismo


Retirou-se para o bosque num estrépido
A decisão amarga e firme do insensato
Como um pássaro de vôo cansado
O mergulho do perene esquecimento

Perigos no escuro do egocentrismo
São as faias banhadas de pura lama
A ordem tida pelo seu imperialismo
Serve tal qual a ponte em chama

O doce que já perdeu o sabor
É a alma que jaz sórdida e repulsiva
Estancastes o sangue e o suor
Antes mesmo de brotar a tua relva

Ah, teatro desses vis miseráveis!
Os vermes já te fazem inútil, banido
Poderás  pertencer aos aceitáveis?
Àqueles do centro, o tempo é velado


Karen Rocha

A bela adormecida






A Bela Adormecida


Se fôsseis tu do meu pretérito como as luzes
A condição não seria o verbo imperfeito
Meus olhos alcançaram os teus fugazes
Uma chama interminável iniciou-se no peito


A eternidade de fogo sem queimada
Sempre amei-te, ainda que nem te conheci
Chama-me que atendo por:Bela Adormecida
Desperte-me com o beijo que já senti

O que reteve no escuro essas pálpebras
Conceder-me- a de presente o sonho meu
Não será perdido o tempo, se me amares
Encantado, meu futuro se fundirá ao teu


Uma ocasião para ambos conveniente
Tempo de traduzir do amor seus sinais
Onde usarei o vestido  mais deslumbrante
Para o dia em que despertar como os fanais


Karen Rocha

Amar




Amar


Ah,meu dínamo dulçoroso!
Conquista-me se puder aqui voar
O silêncio segue o verbo afetuoso
Descompasso-me em teu caminhar

Quando começastes a me notar?
Eis a bússola lida pelos fortes
A chave e as fechaduras do amar
O sol nascerá em nossos lestes?

Teu abraço mágico sem me tocar
A sombra de descanso, minha cela
Imaginação que não pude alcançar
De repente o calor que me congela

Magnífico é o mel da inocência
Se o efeito é o prazer da companhia
Que preenche o copo da existência
Será esta a resposta que eu pedia?


Karen Rocha

quinta-feira, 26 de março de 2015

A busca







A busca


Há um espaço da plebe real por léguas, distante
A terra de paz que o poeta morreu a declamar
Sonho de um respeitável senhor navegante
Se a fé afogou-se, vitória aos monstros do mar


A porta do oceano que alvejou as indulgências
Sob a tirania, mergulho dos subversivos
Que estudaram a prática de suas próprias ciências
Recebendo a rajada dos ventos em uivos


A inspiração abraçou as honras do labor
Foi o guia estelar que visionários interpelaram
Dias de glória entoados por corais em fervor
O conduto seguro, por promessa receberam


Quem pode olvidar a busca dos resgatados?
As histórias, tão contadas por navios veleiros 
Simpatizam-se com os corações sepultados 
Vozes que retornam de passados centenários



Karen Rocha










sexta-feira, 20 de março de 2015

Amanhã




Amanhã


O meu futuro já ressurge nesse instante
A incredulidade não roubou minha bonança
Pois que a caridade rega as flores da fonte
De sobremaneira cravadas com uma lança


A introdução é  sim o hoje do amanhã
Como o tronco é também a invenção da raiz
Eu vivo e cresço com coragem em afã
Todas as bênçãos proverão da matriz


Onde se origina o meu progresso?
Aprendi que os que fazem se tornam
E os que confraternizam-se com o sucesso
Limpam as lágrimas dos que choram


O ideal  foi recontado por inúmeros
E Jamais será relativo ao que o conhece
A verdade é sempre garimpada como ouros
Será bom o porvir ao que o merece



Karen Rocha







Raposa astuta







Raposa astuta


Seres andrógenos que mergulham em minha mente
Desfilando por histórias quase sempre impensadas
Solitária caçadora que recobra o ânimo agilmente
Nessas margens pratas de tocaias não calculadas

Qual a proposta para o resgate de um coração partido?
Insisto-te, mostre-me o sinal de teu possível caminho
Para que não turve-se o canal ao diálogo acertado
E que teu aceite seja o descanso do pássaro no ninho

Um correspondente anuncia-me teus carinhos eternos
Não sei que dizer se parece tão perfeito e transparente
Recorto teu silêncio de pedra com uns penosos desmaios
Sou raposa astuta que mirou-te no batalhão de frente

A exaltação de quem és recosta-se no visível da lente
Embora a aniquilação busque fazer as suas vezes
A estrela onde vivo empresta-te o brilho reluzente
Tornando-se inútil entalhar-te na floresta de xadrezes


Karen Rocha









quinta-feira, 19 de março de 2015

Fuga a sodoma





Fuga à Sodoma


Onde armastes a tenda de teus encalços?
Nas batidas de meandres, teu mar cedeu
O teu fim foi o chão de teus destroços
A fuligem que bebestes, quem te deu?


Quão pequeno é teu maior entendimento!
Te perdestes numa fuga à Sodoma
Isso mesmo congelou teu próprio vento
A dúvida foi o inquérito da tua chama


Se esse farol despertou-te a escuridão
Que a angústia te abandone a companhia
Bons arrolhos tampem os olhos da aflição
E retires a venda que dantes te punia


O império de odiosos que amastes
São apenas de uma guerra as carcaças
O tapete vermelho que estendestes
É o sangue e o espírito em mordaças


Há, retido no castelo com cimentos!
Ainda há tempo quando a alma não tem falhas
Se a trave é bem maior que os ciscos
Veja o céu azul  por trás dessas muralhas



Karen Rocha






quarta-feira, 18 de março de 2015

Senhorita da lua







Senhorita da lua


Sim, eu sou a soberana que me rege
O gostar é a água que desemboca no Tejo
Se preciso-te, torno-me uma simples menina
Meu semblante bebe a sede do que vejo

O disparate é quem de fato me elucida
Na montanha dos girassóis ninguém mente
Por isso arrisquei-me nas asas de tua águia
Se não olhar para trás não tropeçarei à frente

A senhorita da lua não dorme em trevas
Então, não sei perder meu encanto majestoso
Vou à assembleias das cores em ressalvas
Felicidade é irradiar o  brilho avultoso

Sou como a Cinderela da história
Na delicadeza da sensibilidade que visto
Ao primeiro e o ultimo de minha memória
Recompensarei com o amor que eu invisto


Karen Rocha






Refém




Refém 


Volto-me a caverna dos temores ocultos
As gotículas frias te procuram ainda
Pois que vivo sob a sombra dos indultos
Resultado de intempéries em uma fenda

Um obséquio que os malignos negaram
São a fonte bilateral desses mistérios
Dos seres invisíveis que me amam
Que se alojam no arsenal dos feridos

Calo-me em roupas novas de tolices
O tão querido beijo que jamais senti
Eu, mais uma de tuas tantas Alices
Sonhei, logo foi que tão breve adormeci

Maravilho-me de ti, como uma refém
 O vôo rasante que deu-me teu calor
Que a precipitação arrebate-me também
E arranca-me a relva que se chama amor



Karen Rocha





sexta-feira, 13 de março de 2015

Acácia amarela






Acácia amarela


Amante meu, tu és como uma acácia amarela
Se não reconheces tua notável representação
Posso contar desta vez tuas cem pétalas
Então  a íris em que te vejo será tua sensação


O sol que te cobres te confere o brilho maior
Minha consolação serve-se de teu sorriso
És a perfeição que eu posso captar do amor
O elemento que recorro é sim o mais preciso


Teu ribeiro confere-te solícita distinção
Sou também a cultivadora de tua raiz
Como um conto sereno, faz-se tua aparição
E a âncora que me prende é a tua matiz



Karen Rocha














Limite do esgotavel








Limite do esgotável


Por que vias emanou-se o porvindouro desta cela?
Vem os labirintos e distribuem impiedosos a morte
Os estoquistas renegam a longanimidade da tela
E os corações chorosos tem espinhos de suporte

Ceifa dourada, tua empatia alcançará meu deserto
Quando as rajadas dos furacões rasgarem as falácias
E meu único aliado for o captor do bom pensamento
Que me erguerão dos vales sombrios às montanhas aladas

Três foram os revezes nos únicos tempos existentes
Mas a desconstrução edifica-se pela humanidade 
Que a luz acendeu-me no espírito dos candentes
E feriu o dragão que aprisionou-me a verdade

É certo que o limite do esgotável é a indulgência 
Como o labor  glorioso do coral das andorinhas
O assento gracioso de diamantes recebe a incumbência
Quem logrará o esquivo das delícias por direito minhas?


Karen Rocha






segunda-feira, 9 de março de 2015

O estranho do sol







O estranho do sol


O estranho do sol que me tocou os ares
Fez-me do que quis, de tudo, incoerente
Atraiu-me com o enigma dos sonhadores
Conduziu-me à margem, tão carente

Minha vertigem rosa que eles miram
Deu-me a novidade de uma vida insana
Enquanto os lírios tão brancos sorriram
A cortina se desfez naquela caravana

Minha veia clara correu brandamente
Levou-me à alturas que nunca imaginei
O lugar perfeito que evoco simplesmente
A fusão do que amo e em outrora amei

O jardim como de sonhos encantados
Um príncipe quase em suma invisível
Se eu o vi, logo se fez também inflamado
Quando aproximou-se não era acessível

Seu sumiço triste sobremaneira
Os métodos científicos não te provam
Ainda há substanciada cegueira
Que enchergam onde os talvez moram


Karen Rocha

Nós






Nós


Tuas histórias destes brejos profundos, reconte-me
A cada anoitecer, na cadeira de balanço sob nossa estrela
Camélias no jardim deliciam-me com o épico perfume
Recarrego as cores mais lindas de uma rica aquarela


Encontre-me de dia no grande salão do caramujo
Onde o vapor esquenta os ânimos mais fecundos
E as mãos que choram de amor que já não fujo
Uma fusão, a compreensão que rege os puros


Vejo o que trouxe-me, rouxinol azul meu
Um belo cristal que nos conduzirá ao novo destino
Nunca senti o temor que não possa ser você e eu
Pois desde que te vi,meu mundo corre como menino


O tesouro  que esta terra hoje atende por nós
Em tudo o que se planta de bom colhe em nosso peito
Os espinhos arrancados que eliminam os de outrora sós
Que me dês tudo o que sou, se consentes, eu aceito



Karen Rocha







sábado, 7 de março de 2015

Viajante







Viajante


Há, viajante de um horizonte estreito
Por que é certo que me evitas?
No navio em que partistes eu lamento
Tua sede encobriu nossas metas


Se de tudo o argueiro que encobre-te
Ainda és capaz de em nós acreditar
Na nuvem cinza não perdeu-se minha sorte
Por dez vezes não quero mais chorar


Eu sei, tu sabes, somos um
As tristezas não roubaram a saída
Apenas nosso poder de olhar o fim
Mas o tempo ainda segue a acolhida


Esse maremoto que se fez atingível
Um amor que eu também em ti notei
Mesmo que a nota seja imperceptível
O dom do tato sensível eu ganhei


Ah,nosso desencontro temperante
Com um grande iceberg levantado
Anda há em mim o calor quente
Pois sempre foi e serás meu amado


Karen Rocha







Homem das nuvens







Homem das nuvens

Dia ensolarado, uma estonteante fascinação
A descrição se fez no arco da terra em abóboda
Ele era aquele dos meus sonhos, de algodão
Sua forma era gigantesca e sombreada

Homem das nuvens,uma imagem significante
A chuva do coração de repente calou-se em sigma
Três quartos de um beijo de um amor fulgurante
Não é o acaso que escolhe o momento certo do clima

Uma grandeza só superável por seu próprio criador
Serrações que nunca mais  se reduzirão a mormaços
Escolhe-me a mim que serás dos amores o meu maior
Ambos triunfaremos sobre todos os nossos encalços

Obra que interpreta todos os meus anseios mágicos
Não necessito ser ouvida se puder tocar teu semblante
Eu te faço real e tu depreendes os meus "eus" ocultos
Meu presente prescreve o futuro de um coração pensante

Uma questão: Amo-te ou mais que a tudo me amas?
Aceite-me pequena que eu te eternizarei sem olvides
Tua beleza faz-se única nos encontros de duas almas
Contemple-me e sejas meu, o mesmo que me pedes


Karen Rocha





domingo, 1 de março de 2015

Melhor amigo








Melhor amigo


Os recônditos de meu diálogo
Apelam-me por um sinal não palpável
De outra forma, como obter esse fogo
Que ascendem as lutas ao seio afável?

Tu, que criastes a terra e o céu
Em teu domínio perpétuo, a majestade,
Teu amor que rompe assim o véu
Mapeia os milagres: vinde e vede!

Tua mão aquieta meus soluços
No conforto de teu poder infinito
A solidão  já retira-se destes versos
Compreensão que alcança o que sinto

Entregastes tua vida ao hostil mundo
Tu, a quem os pecados não tocaram
Te sujeitastes à vontade do Pai Amado
Retirando as algemas que me prendiam

Salvador, de todos, o melhor amigo
Em outrora pude mesmo conhecer-te
Retornarei ao meu lar também contigo
Um milhão de estrelas por seguir-te


Karen Rocha