sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Fortaleza rejeitada







Fortaleza rejeitada


Uma invisível, ao refletir-me no lago da vida!
Deveria eu debruçar-me sob o peso da agonia,
Quando apagou o sol e a lua de meu dia?
Recompor-me-ei, ao mirar a última estrela guia


A cultura do complexo onde me escondo,
Despedir-me-ei de mim para conhecer-me,
Pois que me vejo sob um escudo
Que em meu resguardo, eu me anime!


Ah, essa submissão! O trovão dos mansos
Hei de encontrar no amor, minha escola
Logo, cantarei em todos os mundos eternos
Onde me levará o meu vento, a auréola


A arte do agir que pensa a eternidade
Serei por dez passarinhos também carregada
Minha voz se materializará em virtude
Eis que acordou a fortaleza rejeitada




Karen Rocha










quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

A fera da sombra







A Fera da Sombra


A imagem do que impediu a saída
Redunda em pavor inocente
A fera da sombra, à espreita perdida
Extingue-se na escuridão crescente 

Onde jaz teu brilho na lua quente?
Nos caminhos dos anéis de saturno
Se o fragmento já sobrevivente
Resulta em doze cinzas de um aceno

Teus infiéis conselheiros, quem são?
Que derretem até as firmes rochas
Com mil explosivos numa mão
E o pior  dos venenos das cobras

O lavor de teus príncipes mouros
Mortandade é,sem a plena luz
Do Império esbraveja em lamentos
Reino azul desfigura numa cruz

Quem são os orates verdadeiros,
Os que se destacam nas trevas
Ou os que espezinham os sinceros?
Não te rendas aos gritos das selvas!



Karen Rocha












quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Arquétipo misterioso





Arquétipo misterioso


Meu arquétipo, em si,misterioso 
Recebas minha inteira consideração
Tens histórico de um singular recluso
A fonte de uma torpe ilusão

Por que te atrais a insubordinação?
Arma-te com escudos e espadas
No cair da neve,despertas a solidão
E desfolhas o coração onde moras

Tuas excêntricas garras são fanais
Que incendeiam as tempestades
Criadas por lágrimas torrenciais
Onde morrem campos que invades

Tua fidelidade se extirpa ao breu
Que o pérfido enganador te ensinou
Surrupiastes o que dantes era teu
O falar de teus lábios te estranhou

O fim de teu guia não conheces
Não te fizestes intimo de ti mesmo
Desfrutar deste ego, tu já podes
Que te libertes o abstracionismo!


Karen Rocha





segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Conselho dos céus









Conselho dos céus


Qual o curso das águas tétricas?
Lago imerso das delícias ilusões
Onde há fossas desenganadas
Dos que rugem em lamentações 

Os conselhos  dos céus inspirados
Que atiram os seus salva-vidas
Mordomia dos que são chamados
Auxílio às mentes mais cavernosas

Lançai-vos hoje ao pó, oh lobos!
O pastor de ovelhas retornará
Aos que cedem às fraudes dos tolos
O amor que cura nunca logrará

Aquele que com despojos se farta
Não encontra luz em sua casa
É indício da cegueira que aparta
Sua família não terá pão na mesa

Onde está o decreto deste mundo?
O orgulho e iniquidade são vermelhos
A fogueira já derrete o extraviado
Destes, escondei os seus espelhos!


Karen Rocha









sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Poesia em provérbios






Poesia em provérbios


Poesia em provérbios, quem entende?
A reflexão de suas estrofes
Clarifica tudo o que não se vende
E aos que ouvem suas vozes

O servo da mansão é o real mestre
Pois que seu amo pelo braço conduz
O entendimento das obras é verdade
Que domina a palavra que traduz

O pouco se faz muito no todo
Se a ampliação da mente chega ao céu
A crença do que se imagina torna fato
Dos perigos que cruzam o leu

Quem preenche o copo de vaidade
Tem sua sede nunca saciada
A raíz de toda a inimizade
Tem no prazer mortal sua morada

O forte não se respalda no fraco
É relativo o merecimento do sonhar
O virtuoso que se agita no lago
Usa as asas que retiram a voar

Os frutos que das árvores se desprendem
São guiados pelas aves para o campo
Que todas as flores desabrochem
E vençam seu próprio contratempo!


Karen Rocha

A guerra




A Guerra


Guerreiro escondido nas trincheiras
Fostes o meu inimigo à espreita da dor
Minhas pernas como aves esguias
Das batalhas, sem dúvida a pior

Por vezes, soldada mais solitária
O campo camuflou minha presença
Tua visão tornou-me desarmada 
Aprisionando-me tua indiferença

A questão do motivo de alistar-me
Foi buscar da mentira à liberdade
Sem saber que o adversário comandante
Foi à guerra conduzido pela fraude

No explodir das luzes em fúria
Almejei retornar agradecida
O caminho da conquista da honra
Ao descanso desta luta já vencida

Estratégias de velocidade e fuga
Recebimento de todos os proventos
Os melhores dos recursos em voga
Enfrentastes como o rei dos veteranos

Tuas reduções foram tão limitadas
Comparando ao que tirou de mim
A vista que me escureceram as bombas
O vazio de uma decepção sem fim



Karen Rocha




quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

A sereia






A Sereia 


Tempestades que acalmam minha alma
Pois que também conheço o verbo amar
O consolo de uma longa finda espera 
Dá-me forças para prosseguir no mar

Águas caudalosas arrastaram-me a ti
Os sorrisos que encontrei dentro de mim,
Por tua queda nessas ondas que vivi
Engolfaste-me no receio de um fim

Tua embarcação, nunca foi desgovernada 
Acreditastes que o poder era só teu
Despertei-me e senti-me enamorada
Por aquele que ensinou-me sobre o céu

O sentido desses cantos, quem entende?
Sou sereia e convido-te a dançar
Cada olhar traz-me novo horizonte
E a certeza que contigo quero andar

Saudações, aventureiro encantado!
Estou na proa do navio que afundou
A providência, como um precioso bote
De uma estrela tão dourada que acenou

E se vier nos afligir algum veleiro
Reivindicaremos o seu reconhecimento
Pois somos ilhas de um mar abandonado 
Em meio a senda de um novo alento


Karen Rocha


Doce sumo









Doce sumo


De uma distinta origem, o sumo
É a metade de vermelhos intensos
Aquele que se faz tão necessário
Já dantes o motivo desses versos

Comprazo-me de ti no veredito
Para que haja em mim ressalvas
Nesse jardim que eu sempre planto
Retirando cochonilhas já perdidas

No processo que destrói o joio
Quando ventos trazem suas respostas
Hei de ser no fim, o seu princípio
Quando forem visitar as tuas obras

Recosta-te em mim, teu abraço
Como as fabulosas aves de rapina
Deixo-te  reclinar em meu laço
E dou-te o desfecho da vitória

Anula o pior fel,o doce melhor
Se te encontras na fileira, preparado
Não te tornes inimigo desertor
Por chaves secretas, sê guardado

O temor é a derrota camuflada
Dos que se fazem algozes de si
Sê tu livre da veia fermentada
Nas compostas do terreno que escolhi



Karen Rocha










quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Andarilho das constelações










Contemplando o céu da fluorescência 
Pode mesmo existir essa quimera?
O cenário de todas as estrelas
Quando via a que mais brilhava

Nossos mundos se alinharam
Na completude do amor que sentimos
E os raios do teu olhar brilhante
Foram a nuvem em que partimos

Ah querido , teu destino ja sou eu
Rumamos a era dos nossos corações 
De hoje em diante e para sempre
Meu Andarilho das constelações 


Refugia- te em meu âmago sentimento
Enfim minha procura acabou
Tu  que viajastes  com o vento
Tornou-se meu eleito, escolhido

Nuvens que derramaram suas águas
Refrescaram o ar que respiramos
A cada novo vestígio das certezas
Nossa união se tornou o que somos 

Incontáveis são os astros em tua mão
Pois que me ganhastes nobre estima
Na coragem que me destes de antemão
 Pude ser a tua estrela guia

Teu caminho,em outrora, solitário
Conquistei-o com interna escotilha
Heróis de um mundo planetário 
Em nosso céu, se estende a maravilha


Karen Rocha




O tempo





O tempo


A árvore de fruto sábio
Bebe águas azuis e brancas
Glorioso é o segundo
Um estrondo de surpresas


As rotinas tocam as flores
Ao que vence o tempo
Eis o progresso dos seres
A borboleta em protótipo


Dos espelhos, os mestres
Usam óculos encantados
Coroando as virtudes
O princípio dos alados


Nas riquezas, a memória
É campeã de suas ações
O que comparte sua história
Já desprende os aguilhões




Karen Rocha

  








Imperador








 Imperador


Ah, imperador destas veias!
No calor de conhecer-te
Lutei por ti a esgrimas
Temperando a minha sorte

Vesti sinal mais refulgente
Enquanto memorizei as rosas
Cem soluços simplesmente
A maré das ventanias

Tornei-me esconderijo
Um anelo por teu pleito
Estraçalhando meu sonho
Rainha de negro deserto

Fui tua fada conselheira
Que se formou de tuas asas
Esculpindo-te na alma
Como o mel de abelhas

A fuligem, eu mesma lancei
Do incêndio desta dor
A voz, que já recuperei
Que me tirou o opressor

Liberdade aos prisioneiros!
O amor de certo, conspirou
Para ser o rei de contos
Pois que já me levantou 



Karen Rocha

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Consciência





Consciência


No raiar do sol, que não me deite!
O vento trás maior necessidade
Acena-me e em meu juízo irei ver-te
Luz que queima toda a vaidade


Quem sou eu, senão o que vejo?
O bem que já nasceu da alma
Implorando refúgio em meu peito
É o vaga-lume desta consciência


Cessai, olhos de água negras!
Teus raios, nunca mais me afligirão
Conto- te hoje as boas novas
A porta, onde já descansarão


Sussurro de uma paz serena
Recolhe do mundo, a pequenez
A proteção da mente é plena
Quando ouvimos sua voz


O poder motriz dos planetas
Milagre do céu, inteligência
Círculo de verdades infindas
Que eu não seja uma néscia!



 Karen Rocha











quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A promessa




A promessa

Causas e imensuráveis efeitos
Serão esses paradoxos?
Se a vida hoje te faz deposto
Não jazerá o mundo em teu rosto

Um deleite de candura inocente
Quão afável é a derrota da morte
Onde a mácula o tempo deixou,
A pureza do Senhor já te salvou

Ainda presente e tão distante
Podes despertar o júbilo cantante
Duas em uma, nossas persistentes buscas
E esse amor que já respirastes

O negro abismo vertiginoso
Por nossa alegria, já foi rompido
Recorda-te há mesmo um tudo infinito
A divindade deste propósito 

Auroras de brilho afogam lágrimas
O colorido das outroras várzeas
 A promessa serena em nossos dedos
Que um dia, criaremos mundos


Karen Rocha