segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Naufraga






Náufraga


Ah, esse amor que me consome
 Com suas doces chamas negras!
Provoca cicatriz profunda e insistente
Sou ré deste sentimento que afanas

Transbordo em ilha deserta meu refúgio
Grito a flâmula sagaz e ninguém ouve
Estou de pouco a pouco simplesmente só
Sem ti não há mais sentido tão coerente

Vejo-me sentada num navio naufragando
Meus olhos não tem qualquer reação
Olham-te com palpitações de fomento
Estás a entrar em outra embarcação

Em meu ímpar e derradeiro suspiro
Estou morrendo e para trás não olhas
Lamento tudo e entrego ao mar consolo
No abissal, mais cem litros de águas

Karen Rocha