quarta-feira, 13 de maio de 2015

Só amigos




Só amigos

Há uma algazarra enorme aqui dentro
Como só amigos se o céu sorriu-nos?
A proximidade decretou nosso afastamento

Lembras da noite em que nos conhecemos?
Afirmaria sem titubear que era uma faísca
Não digas:"Os sentimentos não foram os mesmos"

Diferenças temos, mas como não seria?
É a diversidade de sons que compõem a orquestra
Diga-me se podes tocar essa linda sinfonia

Tua voz, varrendo-me como um furacão
Insuperável!Exatamente o que penso de ti
Que um dia intentes receber minha mão

Jamais saberás o que há de precioso no interior
Se nunca quebrares a casca da amizade
Mas se sim, tua surpresa pode ser o amor

Karen Rocha



Fantasias



Fantasias

Ah, rapaz de doçuras, teu enigmas...
És como um conto delicioso ao ouvido
Uma brisa leve que abraça-me com ternuras

Tuas lembranças ajudam-me a montar peças
É tudo instigante como uma montanha -russa
Subo até o ápice sem notar suas fantasias

Um velcro que prende e algo tanto a mais
Meus amigos querem dissuadir-me a que desista
Mas como poderia não devorar teus sinais?

Outras também já perceberam tua atratividade
Tal como eu, idealizaram uma imagem encantada
Dói-me pensar que posso não ser tua cidade

Contudo eu não conseguiria enganar o além
Seria acaso possível ser apenas minha imaginação?
Aquieto-me nesse ponto e sei que tudo ficará bem

Karen Rocha

Acreditar





Acreditar

Por que retrucas que nada é para sempre?
Se desejares notarás o que o mundo ocultou
Estou parada esperando-te na porta da frente

No recalcitrar das horas, sinto-me a prisioneira
De meus próprios sentimentos mais bonitos
Curvo-me ao viés do que não se acaba

Proponho-te uma solução caso concordes
Busques nos teus recônditos mais profundos
E tuas escamas caírem,que deixes

Oro para um dia vermos o céu de modo igual
Que falemos a língua dos anjos infinitos
Quando a dúvida aposentares sob o luau

Enquanto estás a caminhar sozinho
Apenas tente acreditar no que eu digo
Que a semente do amor não caia no espinho

Karen Rocha


Cem metros de poesias



Cem metros de poesias

Estou na maratona de cem metros de poesias
Cada qual encaixando-se perfeitamente a alguém
Lá onde nascem as lágrimas, achei minhas canetas

Precisaria entrar na máquina do tempo para não saber
Que seria mais fácil compor o meu cancioneiro
Minha emoções profundas despertadas. Queres ler?

Sinto-me uma moça de outros séculos passados
Quase ninguém alcança o mel arcaico das letras
Somente quem possui os jovens espíritos alados

Da borboleta o voo macio me é bem comum
A arte é quase a subjetividade de seu intérprete
É assim que escrevo:Para todos e cada um...

Karen Rocha


Colo da solidão



Colo da solidão


Tão apaixonada e receosa!Olhou-me atento
O silêncio afundou-me atrás da janela corajosa
Seria esse o exato momento de mostrar que existo?

As estrelas foram as infelizes testemunhas
De repente o grande abismo da distância
Foi como no coração mil picadas de agulhas

Se ele sentia o mesmo tremor por mim?
Ah,suponho que tenha esquecido de perguntar
Agitou suas asas num disparo sem fim

Qual mortal poderia mensurar essa dor então?
O vento afagou-me em consolo angelical
E mais uma vez voltei ao colo da solidão

Karen Rocha



Chuva dos olhos




Chuva dos olhos

Tenho confesso, também a fragilidade de Aquiles
Compreendo-te quando expressa-me teus traumas
Podes seguramente confiar em mim. Vá, fales!

Quero ser teu ombro nos minutos necessários
O amor é sempre a única possível saída
Deixes fluir o ribeiro de teus choros

A chuva dos olhos antecede o arco-iris
Suportes bem e este será teu mais alto trampolim
O vitorioso é quem aceita os próprios "ais"

Agora levante-se e dances assim bem comigo
Se tua fé não vacilar, ouvirás a música
Pois que o coral dos anjos enviou-te abrigo

Karen Rocha

Sensível senhora



Sensível senhora

Cirando-me daquelas mídias que falam sobre nós
Filmes, músicas, livros...como nos conhecem?
Será que a curva do vento delatou-nos?

Dizes que nunca vistes mais sensível senhora
Logicamente posso explicar se deixares
Nenhuma delas teve a ti como honra

A satisfação que tu me dás é implosiva
Tuas chaves carmesim abriram o cadeado
Desde o dia em que te vi eu já sabia

O que seria de mim com tua partida?
Pra receber o teu amor como triunfo
Esperaria por toda uma longa vida

Karen Rocha

Uma intrusa presença




Uma intrusa presença

As frequências sonoras de minha agitação
Captaram uma intrusa presença
Lutou ousadamente por minha permissão

Pediu-me para fazer em mim morada
Pois seu toque tem sabor de leite fresco
E é das alegrias, grande amiga

Ó, que audácia! Pensei de repente
Acreditou que o caminho era sem preço
Vem aqui e quer a parte que a mim pertence

Quem era essa então misteriosa?
Percorri todo o planeta pela resposta
Descobri finalmente:era a minha auto-estima

Karen Rocha

Praia rosada




Praia rosada

Arrebentam-se as espumas da praia rosada
Sobre as ondas de meus devaneios redondos
Sinto o cheiro suave de cada gota perfumada

Se eu esforçar-me para descrever com palavras
Posso tentar, veremos, a perfeição, talvez
As sensações adocicadas com toque de pápricas

As areias sopradas vem com forças me cobrir
Os olhos fechados e as águas mornas nos pés
E o céu vai apagando a luz para eu dormir

Saio de onde estou, sem sequer deslocar-me
Ela, a natureza é minha melhor terapeuta
Penso no que importa e tudo o mais some

Karen Rocha



Poréns de nozes




Poréns de nozes

Bem que poderias ser o meu colírio
Que aclareia o quadro da vida fumê
E afugenta o embaçado adversário

Já dantes dizia o velho ancião:
"Quem cala é o que consente"
Exaspere-se no grito à rouquidão

Sob o pé de macieiras te arejes
A firmeza seja tua companheira
Ante os inéditos "nós" que nutres

Pois teus olhares são de bronzes
Que engaveto para o final feliz
Quebrando teus poréns de nozes

Karen Rocha

Rapaz ideal





Rapaz ideal

Paralisei-te no nanosegundo do tempo
Onde o inverno é mais ameno e gentil
As andorinhas dançam ao som do vento
E os viajantes enchem sempre o seu cantil

Ah rapaz ideal, quem te achará?
Dentro aqui, minha fidelidade a ti
O céu passa, mas isso permanecerá
Com teu cetro, meu caminho abri

  Não vás com os despeitos. Fique!
Eles não podem reduzir-te a frangalhos
Tua morada é a digna de um duque
Que assenta de rubis no campo os galhos

No entardecer enches o poço raso
O provedor que extermina a maldade
Venha!Tomemos juntos o reinado
A dádiva que ressoa a completude

Karen Rocha





Milionários dos anos





Milionários dos anos

Se tu me amas, dê-me um sinal
Irei ver-te às pressas hoje mesmo
E levaremos o preconceito ao final

Existe lugar para meias verdades?
Quero erradicar a epidemia do medo
Amo-te com base em contiguidades

Viajemos para a terra do nunca
E esqueçamos isso tudo de uma vez
Ou talvez fundemos a cidade pitoresca

Lágrimas prateadas enriquecem-nos
Olha que em breve virarão ouro
Então seremos os milionários dos anos

Karen Rocha

Anos noventa




Anos noventa

Éramos tão felizes nos anos noventa
Tínhamos tudo que precisávamos
E um amor que não se inventa

Interpretamos a mais bela canção
As mãos selaram-se num toque
A eternidade era nossa decisão

Naquele tempo,pisamos na lua
Percorremos os dois oceanos
E a Terra era nossa rua

Um eclipse, dois amantes
Casamento e filhos, um sonho
Nos prendiam doces correntes

Hoje os olhos semi-cerrados
Meu rosto arranhado pelo tempo
Os dentes tímidos implantados

O corpo e a mente enfadados
Embora o espírito seja jovem
Pesou-me em suma os fardos

Teus braços foram espinhos da rosa
Pois eles arrancaram-te de mim
Estou em seu jardim em prosa

Um condor tomou-te a liberdade
E entregou-a sem exitar
Onde pusestes minha ombridade?

Ah, como eu quero-me de volta!
Agora mesmo vou descongelar-me
E fazer do presente,a melhor década

Karen Rocha

Garoto portento


Garoto portento

Portento de encorpada massa cinzenta
Anseio teus hábitos sobretudo, suculentos
E jamais aposentá-los aos "enta"

Eles chamam-te de:Nerd, o incrível
Morri cem vezes tentando definir-te
Pois deixaste-me uma marca indelével

Liquidifico-me na mente os net-chavões
Para que possas admirar- me de igual modo
Sou a mangá cor-de-rosa contra os vilões

Conheces todos os ultimos maiores games
E as línguas dos países mais distantes
Quais seriam as minhas melhores chances?

Quero teus livros de cor na minha estante
E vestir-me de Mary Jane naquele baile
Para ganhar o teu jogo, ensina-me o macete

Karen Rocha

Aspirantes ao estrelado



Aspirantes ao estrelato

Os asteroides caíram num colapso
Quando o firmamento anunciou-te
Tua luz fez a deles em desuso

A inveja acompanhou-te desde então
Intentaram minimizar teus predicados
Mas o mal maquinado é algema na mão

Aqueles doces de cacau magníficos
Em tudo semelhante foi tua conquista
Exceto que sofrestes com os ascos

Muxoxos dos aspirantes ao estrelato
Com respeito ao padrão teu, aplicado
Teu brilho resplandece a cada bom ato

Karen Rocha

Outono de vidro





Outono de vidro

Outono de vidro, em suma, purpurinado
Os carvalhos o conhece de outros tempos
Seu bem-te-vi é um mensageiro afinado

Precursor do frio aquecedor de lareiras
E sucede o calor dos sorvetes coloridos
Mas quais suas qualidades?Sabei dizê-las?

Das quatro,a saber, preparatória estação
Para o que vem depois, sua suscetibilidade
Essencial e humilde no rodar da translação

Enquanto eu dormia, ouvia uns estampidos
Era ele, quebrando-se em três partes
Visando compartir com os mais indoutos

Trovões são seu rugido quase leonino
Onde vivo, de estilo pedante,indefinido
Mas mantém o curso das águas do rio menino

Qual seria então o seu ponto mais fraco?
Ah, é nele que eu nasci e desenvolvi-me
Invisíveis para alguns,cumprem seu propósito

Karen Rocha

Além dessas fronteiras





Além dessas fronteiras

Caiu neve no instante em que partistes
De uma densidade nunca antes vista
Ai de mim que vivi de excentricidades!

Perdi-me na mata dos tristonhos visgos
Onde o basilisco pica os desafortunados
Com ruas sem saída e brejos amargos

Até pisei em umas movediças areias
Não sabendo o que viria de mais tragédia
Tua mão invisível atirou-me tuas teias

Para o alto e além dessas fronteiras!
Meu coração recebeu um tecido adiposo
E mergulhamos no rio das açucaradas peras

Nos faziam a orquestra as árvores mansas
Passarinhos forneciam-nos marshmallows
Inestimáveis, as gramas de tapetes Persas

As constelações batiam palmas para nós
O sol sorria-nos bem amistoso e servil
Quão delicioso é nunca estarmos sós!

Karen Rocha

Sensações




Sensações

O chão que pisamos tem sabor aveludado
Para mim são bombons de castanhas
Mesclados com algodão-doce aplumado

A água que bebemos,toque de manjar
Suave como um pêssego maduro
Desejada como as espumas do mar

As rosas que exalamos são cativantes
Comestíveis como leites empastados
E ameaçadoras como comida de gigantes

O alimento para nós é poético, gostoso
Agradável como a brisa fresca no rosto 
E feito o ramo de perfume mais cheiroso

Essas sensações desconhecem os amargos
O amor é como um bolo de prestígio
Com chocolate puro, coberto de morangos

Karen Rocha

O conto do Vale Suave



O conto do vale suave

Abrevie-te e diga-me: A que viestes?
Pediu-me para provar a chave de seu peito
Claro!Não me serviriam dez privacidades


Por que não eu?Adiantei-me num atrevido
Quando então o silvo de correios vaga-lumes
Anunciaram-me quem seria meu amado

As nuvens de um esfumaçado algodão
Trouxeram os astros para banhar-te de luz
Um estalar de contigo comunhão

Arrepiei-me.Saistes desses telhados?
Ninguém a não ser tu mesmo poderias saber
Que meus dedos em teus ficaram úmidos

Um lugar sem família de que serve?
Oh Sim, caso-me contigo nesta noite aluada
E protagonizamos o conto do vale suave

Karen Rocha

Rendeira


Rendeira

Nevoeiro dissipado serenou-me em virtudes
Penso, logo existo. Por que não então?
A maré é vazia sem as minhas atitudes

Sou rendeira que tece as obras de palavras
Usadas nos dias mais quentes ou frios
Independência ou a morte das loucuras!

Camisas desgrenhadas perdem os linhos
O mau conhecimento é poder bem precário
Quem tomará emprestado dos pobrezinhos?

E se eu mostrar-te como fazer as rendas
Tu realmente ensina-me a namorar?
Teu pedido é uma ordem, rei Amidas...

Karen Rocha

Caravana



Caravana

Há um tornado por trás da pista
Onde o fogo nunca se apaga
E a platéia desejaria ser secreta

O ronco do motor dos velocípedes
Está vibrando em marcha à ré
Um enganado entre os transeuntes

Helicóptero, zigue-zague vai cair
E a fumaça anuncia a derrota
As mães pedem aos filhos para fugir

Animais ferozes buscando a presa
Os vulneráveis estão bem mais perto
Prato principal da imunda mesa

E eu aqui, continuo com a lanterna
Tenho um apito e o mapa-salvação
Convidando a todos para a caravana

O mundo está em seu iminente fim
Aqueles que me ouvem se refugiarão
Pois a luz que trago não vem de mim

Karen Rocha

A camponesa



A camponesa

Disponho-me e sem preço o servirei
O que seriam as riquezas ante tua honradez?
Dê-me o cajado e te farei o meu rei

Sou a camponesa de um épico conto
Labutando sob o mestre escaldante do calor
E cozendo os sonhos no cortante vento

Recolho os cereais e o mel do enxame
Da rica experiência só faltou-me o amor
Ficar sem ti seria pior que a fome

Ah, meu prosaico tão magnífico!
Como ainda não podes ser capaz de perceber?
És tu dos meus sentimentos,o infinito

Karen Rocha

Melhor número



Melhor número

Teu sorriso, o arco da viola
No Si dos regozijos, inspira-me
Essas notas destravando a janela
Da angústia, junto a corda que treme

Olhar-te é o toque de flautim
O aconchego das plumas macias
Envolve-me o deslumbre de teu sim
Como os estrimbos às chuvas

O trovão de tua voz é guia cego
A proteção, recorro na serenidade
Um teste do limite do meu ego
Sejas tu a saciar-me essa sede!

Apresente-me teu melhor número
Poderei esperar-te além do infinito?
Teu piano soará feliz a cada janeiro
Ao reconheceres que eu existo

Karen Rocha