Náufraga
Ah, esse amor que me consome
Com suas doces chamas negras!
Provoca cicatriz profunda e insistente
Sou ré deste sentimento que afanas
Transbordo em ilha deserta meu refúgio
Grito a flâmula sagaz e ninguém ouve
Estou de pouco a pouco simplesmente só
Sem ti não há mais sentido tão coerente
Vejo-me sentada num navio naufragando
Meus olhos não tem qualquer reação
Olham-te com palpitações de fomento
Estás a entrar em outra embarcação
Em meu ímpar e derradeiro suspiro
Estou morrendo e para trás não olhas
Lamento tudo e entrego ao mar consolo
No abissal, mais cem litros de águas
Karen Rocha

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