Clandestina
Um dia enfim parti
Tentando encontrar-me
No céu, o mar eu vi
Uma estrela que dorme
Sonhei ventos uivantes
Recolhendo minha lança
Desenhando os infantes
Um cenário de esperança
Sem tolas conjunturas
Fiz a sombra das árvores
A queima de fartas lenhas
Do arco-íris, minhas cores
Uma atriz que convence
Nos olhares dos soturnos
Na solidão de uma mente
Sem fronteiras de silêncios
Peripécias dos alheios
Choro, incontido e firme
Vozes dos abandonados
Nunca pude esconder-me
Uma clandestina em mil
Fui apenas eu no fogo
Almejando a calma anil
Em busca do verbo novo
No passaporte do amor
Longe do que era antes
Reclinando-me ao calor
Dos teus olhos fulgurantes
Quem um dia despertou-me,
No território de fortes?
A vitória ao que não some
Na brisa dos inocentes!
Candentes raios de retorno
Trouxe- me a bússola em ti
A nova terra é o regresso
Daquela paz onde nasci
Karen Rocha

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