O Campo da Alma
Quando vens estilhar a cortina da alma,
Sem temor que me mostres enfim tua calma,
És calor e o vento que sopra o cetim,
De plantar neste solo senil pois enfim
Tomas parte do que aqui já comprastes
E o campo que cresce feliz, que cultives!
Mas se o queimas com fúria e medo do fim
Não terás , óh meu bem, nunca parte em mim
Ah,sereno e frágil coberto de flores,
Tens a vida e as cores macias de amores!
Tú és tudo e a parte do todo afim
És satélite réu, meu amor, meu clarim
Mas se um dia na seiva o mel retiveres
E sozinho ao léu, tu sem mim te achares
Estarei esperando recolher os feixes
Num breu abissal procurando as sementes
E assim ouvirás o lamento da noite
Que a raiz deste mal sempre corta a foice,
Não tens tu já partido de tudo o meu mundo,
Que só conheci neste solo fecundo?
E do leito a semente tornará com brio
Enxertado o ramo do amor puro e vivo
E de toda a colheita, oh, será minha sorte,
Me trazendo de volta o recanto deleite!
Karen Rocha

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