quarta-feira, 13 de maio de 2015

Além dessas fronteiras





Além dessas fronteiras

Caiu neve no instante em que partistes
De uma densidade nunca antes vista
Ai de mim que vivi de excentricidades!

Perdi-me na mata dos tristonhos visgos
Onde o basilisco pica os desafortunados
Com ruas sem saída e brejos amargos

Até pisei em umas movediças areias
Não sabendo o que viria de mais tragédia
Tua mão invisível atirou-me tuas teias

Para o alto e além dessas fronteiras!
Meu coração recebeu um tecido adiposo
E mergulhamos no rio das açucaradas peras

Nos faziam a orquestra as árvores mansas
Passarinhos forneciam-nos marshmallows
Inestimáveis, as gramas de tapetes Persas

As constelações batiam palmas para nós
O sol sorria-nos bem amistoso e servil
Quão delicioso é nunca estarmos sós!

Karen Rocha

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